fabricando lager em casa

No encontro de sábado agora, convidamos a Sofia Guimarães para levar a lager que fabrica em casa para ser um dos estilos que degustaremos. É fundamental termos “cerveja de panela” nos encontros para incentivar outros a fazerem e também entenderem melhor processos criativos. Os outros estilos serão brasileiras bem interessantes, hum… (percebeu a animação aqui?).

[Ainda no encontro de sábado, teremos a presença ilustríssima & ilustradíssima das Lupulinas – Cilmara Bedaque e Vange Leonel. Elas mantém blog muito interessante sobre cerveja. Você pode ler a cobertura delas do Festival da Cerveja em Blumenau, por exemplo]

Fiz uma pequena entrevista com a Sofia, para que contasse um pouco do processo. A Sofia é “vizinha” dos Hussardos, pois pratica esgrima com o Vanderley, e fez História na FFLCH. Aprendeu a brassar com o marido, que tinha feito o curso de mestre-cervejeiro. Montaram o equipamento no ano passado e fazem, em média, uma receita por mês. Aí vão algumas considerações.

Qual a parte mais fácil e a mais difícil do processo?

A parte mais difícil em fazer cerveja, na minha opinião, se resume à infra-estrutura. Muitas vezes temos que adaptar receitas que queremos fazer, devido à falta de insumos no mercado nacional. Mas tudo na vida possui seu lado positivo. A falta de variedade de ingredientes nos força a ser criativos e buscar novas combinações de lúpulos, maltes e fermentos. Tivemos resultados bastante felizes neste sentido, como no caso de nossa Belgian Golden Strong Ale, a Pirate Smile. Não creio que exista uma parte mais fácil, pois fazer cerveja não é difícil.

O prazer de se fazer cerveja (principalmente acompanhado com alguém que você goste!) faz com que tudo seja simples e extremamente prazeroso. Claro que o melhor de tudo é a recompensa quando, depois de um mês ou dois de espera, você senta em seu sofá e abre uma deliciosa cerveja. E o melhor de tudo: foi você quem fez!

Como é trabalhar com lager?

O trabalho com a Lager não difere muito do de uma ale. Em alguns sentidos, é até mais simples. Alguns processos que são indispensáveis em diversas receitas de ale – como a decocção – não figuram na fabriação da lager. A dificuldade se encontra apenas na espera. Enquanto, nas ale, demoramos em média 1 mês entre a fabricação e consumo, nas lager a espera chega a dobrar. Sua especificidade está justamente na paciência. Em alemão, lager é o termo utilizado para se referir a estoque. Guardar e aguardar são, portanto, ingredientes indispensáveis em sua fabricação.

Quais cervejas nacionais gosta de beber?

O mercado nacional tem estado bastante aquecido nos últimos anos, o que faz com que cada vez mais cervejarias artesanais surjam. Neste cenário, possuo algumas preferidas. No frio, sou apaixonada pela Wälls Petroleum (Russian Imperial Stout) ou então uma a Rauchbier da Bamberg. No calor, a Weizen da St. Gallen é um bom custo-benefício. Das cervejas mais lupuladas, gosto da Colorado Vixnu e da APA da Way.

O que pensa das mulheres fazerem cerveja?

As mulheres marcaram a história da cerveja desde o seu princípio. Exemplo disso é a monja Hildegarda, que adicionou o lúpulo aos ingredientes da cerveja e que deu a esta o sabor e o aroma que hoje nos é tão bem conhecido. Enquanto a cerveja era restrita às cozinhas dos lares, a mulher cervejeira criava. Quando a cerveja ganhou espaço na grande indústria, a mulher deixou de ter a preeminência de outrora.

Agora, em pleno século XXI, as mulheres voltam a ganhar a cena no mundo cervejeiro. Penso que esta retomada é mais um reflexo da luta cotidiana das mulheres para ganharem os espaços que são originalmente nos são negados. No caso da cerveja, não é apenas uma conquista, mas sim uma reconquista de um espaço que sempre foi nosso.

Serviço: Hildegarda, 22/03, sábado, das 18h às 20h. Hussardos Clube Literário. Rua Araújo, 154, 2º andar, Centro, São Paulo (SP), próximo ao Metrô República. Inscrições: R$ 65,00 até 21/03 pelo site www.hussardosclubeliterario.com e, na hora, R$ 75,00 em dinheiro ou cartões. 25 vagas. Informações: (11) 5825-2426 e cervejashildegarda@gmail.com.

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Um pensamento sobre “fabricando lager em casa

  1. Pingback: encontro de março: mulheres e cervejas | hildegarda

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